Artigo publicado em 15 de dezembro de 2010 e completamente reescrito em 15 de outubro de 2026. Os comentários abaixo vêm desde dezembro de 2010, e alguns falam de regras que já mudaram.
Se você está sonhando em fazer as malas e partir para o outro lado do oceano em busca de melhores oportunidades, seja bem-vindo! Aqui você encontra informações práticas sobre trabalho na Itália: que documentos são necessários, como encontrar um emprego, como funcionam os contratos, quanto se ganha e quanto se paga de impostos. Como esta é uma comunidade de brasileiros, as dicas de leitores que já trabalharam na Itália continuam muito bem-vindas nos comentários.
Índice
Com cidadania italiana ou europeia
Quem tem cidadania italiana pode morar e trabalhar na Itália sem nenhuma condição: o artigo 16 da Constituição garante a todo cidadão o direito de circular e morar livremente em qualquer parte do país. Não precisa de visto, de permesso di soggiorno, nem de comprovar trabalho ou renda. É o caso de muitos brasileiros descendentes de italianos que já têm a cidadania reconhecida. Como qualquer morador, você só precisa registrar a residência no Comune onde vive, a iscrizione anagrafica (artigo 2 da lei 1228/1954).
Já quem tem cidadania de outro país da União Europeia (Portugal, Espanha, Alemanha…) também não precisa de visto nem de permesso di soggiorno, mas segue as regras da livre circulação europeia. Nos primeiros três meses pode ficar livremente. Para ficar mais tempo, a lei pede que trabalhe (como empregado ou autônomo), estude ou tenha recursos próprios e plano de saúde, como diz o artigo 7 do decreto legislativo 30/2007. Passados três meses da chegada, também é obrigatório fazer a iscrizione anagrafica (artigo 9 do mesmo decreto).
Ainda não tem a cidadania italiana? O que mudou em 2025
Se o seu plano era “tirar a cidadania e ir trabalhar”, atenção: em 2025 as regras da cidadania por descendência mudaram. O decreto-lei 36, de 28 de março de 2025, acrescentou à lei da cidadania italiana (a lei 91 de 1992, que continua em vigor) um artigo novo, o artigo 3-bis. Pela regra nova, quem nasceu no exterior e tem outra cidadania, como a brasileira, é considerado como nunca tendo adquirido a cidadania italiana, salvo nestes casos:
- quem pediu o reconhecimento no consulado ou no Comune até as 23h59 (hora de Roma) de 27 de março de 2025, ou tinha um agendamento comunicado até essa data, ou entrou na Justiça até essa data;
- quem tem pai, mãe, avô ou avó que tem, ou tinha quando morreu, exclusivamente a cidadania italiana;
- quem tem pai ou mãe que, depois de se tornar cidadão italiano, morou na Itália por pelo menos dois anos seguidos antes do nascimento do filho.
O detalhe que muita gente não viu: a palavra “exclusivamente”. Na primeira versão do decreto, de março de 2025, a exceção era ter pai, mãe ou avô nascido na Itália, e foi essa versão que circulou na imprensa e nas redes sociais. Mas, ao transformar o decreto em lei (lei 74/2025, em vigor desde 24 de maio de 2025), o Parlamento trocou o critério: não importa mais onde o pai ou o avô nasceu, e sim que ele tenha, ou tivesse quando morreu, somente a cidadania italiana.
Na prática, se o seu pai, a sua mãe ou o seu avô tem (ou tinha) também a cidadania brasileira, ou de qualquer outro país, essa exceção não vale para você. E esse é um caso muito comum entre as famílias de descendentes, em que os pais já têm a dupla cidadania reconhecida. Antes de contar com a cidadania para vir trabalhar, confira o seu caso no consulado.
Sem cidadania europeia: os caminhos legais
Se você é só brasileiro, precisa de um visto para morar e trabalhar na Itália, pedido à representação consular italiana do país onde você mora. O Ministério do Interior italiano lista as modalidades de entrada. Estes são os caminhos mais comuns para quem quer trabalhar:
Trabalho como empregado: o Decreto Flussi
Todo ano o governo italiano fixa um número máximo de autorizações de trabalho para quem vem de fora da União Europeia: são as cotas do Decreto Flussi. Mas o trabalhador não pode se inscrever sozinho. Funciona assim: uma empresa ou uma família na Itália decide contratar você e é ela que faz o pedido, em seu nome, nas datas marcadas pelo governo. Só depois que esse pedido é aprovado você pede o visto de trabalho no consulado. O Brasil não está entre os países com vagas reservadas, mas os descendentes de italianos que moram no Brasil têm um caminho fora das cotas. Explicamos tudo, com datas e números de 2027, no guia do Decreto Flussi 2027.
Profissional qualificado: a Carta Blu UE
É a autorização para trabalhadores altamente qualificados. Pelo artigo 27-quater do Testo Unico dell’Immigrazione, o candidato precisa ter diploma de nível superior ou, sem diploma, pelo menos cinco anos de experiência profissional equivalente (três anos nos últimos sete, para gestores e especialistas em tecnologia da informação). O salário oferecido não pode ser menor que o do contrato coletivo do setor nem que a média anual bruta calculada pelo Istat. A Carta Blu fica fora das cotas do Decreto Flussi, mas também aqui quem pede o nulla osta é a empresa.
Trabalho remoto: o visto de nômade digital
Desde 2024 existe um visto para quem quer morar na Itália trabalhando à distância, seja como freelancer (o “nomade digitale”), seja como funcionário de uma empresa (o “lavoratore da remoto”). É para trabalhadores altamente qualificados, com diploma de nível superior ou experiência equivalente, e com pelo menos seis meses de experiência na atividade. O ponto que mais pesa é a renda. Segundo o portal Integrazione Migranti, do governo italiano:
- quem vem sozinho, sem cônjuge nem filhos, precisa comprovar uma renda de pelo menos 24.789 euros por ano, cerca de 2.065 euros por mês. Quem traz a família precisa de uma renda maior;
- quem é funcionário de uma empresa precisa, além disso, de um salário que não seja menor que a média salarial bruta anual calculada pelo Istat, que o governo indicava em cerca de 33.500 euros em junho de 2024.
Também é preciso ter plano de saúde válido na Itália e comprovar onde vai morar. O visto vale até 365 dias. Esses valores são atualizados com o tempo e a documentação muda de consulado para consulado (veja, por exemplo, a lista de requisitos de uma embaixada italiana): confirme os números no consulado da sua região antes de juntar os papéis.
Estudar e trabalhar: o visto de estudo
Quem vai estudar na Itália recebe um permesso di soggiorno por estudo, que permite trabalhar como empregado até 20 horas por semana, com limite de 1.040 horas por ano (artigo 14 do DPR 394/1999). A Inspeção do Trabalho já esclareceu, em nota de 2022, que não dá para compensar: nem nas férias da faculdade a semana pode passar de 20 horas, mesmo que o total do ano fique abaixo de 1.040.
Reagrupamento familiar
Quem já mora legalmente na Itália pode pedir para trazer o cônjuge, os filhos ou os pais. Desde o fim de 2024, para o cônjuge, os filhos maiores e os pais, é preciso ter pelo menos dois anos ininterruptos de residência legal na Itália no momento do pedido (artigo 28 do Testo Unico dell’Immigrazione).
Já está na Itália: dá para trocar o permesso por um de trabalho?
Depende do documento que você tem. Pelo artigo 6 do Testo Unico dell’Immigrazione, alguns permessi di soggiorno podem virar permesso de trabalho sem que você precise sair da Itália:
- estudo ou formação: pode ser convertido em permesso de trabalho, fora das cotas do Decreto Flussi, desde que o pedido seja feito antes de o permesso vencer e que você já tenha um contrato de trabalho assinado (ou, para trabalhar como autônomo, os requisitos exigidos para isso);
- motivos familiares: já permite trabalhar, sem precisar de conversão;
- outros casos previstos no mesmo artigo, como o permesso por residência eletiva, por atividade esportiva, por trabalho artístico ou por motivos religiosos.
Quem entrou como turista não tem essa opção. Os 90 dias que o brasileiro pode passar na Itália sem visto não são um permesso di soggiorno e não estão entre os documentos que a lei permite converter. É desse caso que vem o conselho, muito repetido nos grupos, de voltar ao Brasil: quem está aqui como turista, ou já passou do prazo, precisa sair e entrar de novo com o visto certo.
Como encontrar trabalho estando no Brasil
O melhor modo de encontrar um trabalho morando ainda no Brasil é através da indicação de amigos e conhecidos. E se você não tem nenhum amigo na Itália? Foi exatamente para isso que nasceu a comunidade Trabalho na Italia: para você encontrar outras pessoas na mesma situação, ou que já moram aqui e podem dar conselhos úteis. Fique ligado sempre nas vagas abertas que divulgamos.
Crie também um perfil no LinkedIn, muito usado pelas empresas italianas para recrutar. Veja como usar o LinkedIn para conseguir trabalho.
Outra alternativa é preparar um currículo em italiano e enviá-lo com critério. Faça uma seleção de empresas italianas onde gostaria de trabalhar, procure a seção “Lavora con noi” no site, veja se há vagas abertas ou se é possível fazer uma candidatura espontânea. O portal EURES, da União Europeia, também reúne vagas na Itália. Deixe a preguiça de lado, porque já diz o ditado: procurar trabalho já é um trabalho! E seja gentil e humilde. Mais dicas em 5 conselhos para encontrar trabalho na Itália.
Como encontrar trabalho já estando na Itália
Se você já mora na Itália, em teoria as coisas são mais fáceis, porque já tem os documentos que autorizam a trabalhar legalmente. Além disso, se o empregador precisa de alguém para cobrir uma vaga amanhã, você já está aqui.
As agências de emprego são uma ótima alternativa: conheço diversas pessoas que arrumaram trabalho temporário através delas (e algumas vezes o temporário virou definitivo!). Em geral, antes de a vaga ser sua, você passa por entrevistas em grupo e individuais. Veja a lista de agências de emprego na Itália.
Para profissionais, outra boa ideia é frequentar as feiras do setor. Se você trabalha com comunicação, participe de feiras, palestras e eventos de comunicação; se trabalha com moda, de tudo o que é ligado ao mundo da moda. Tenha o seu portfólio sempre à mão, troque contatos (e-mail, LinkedIn, Instagram, X), informe-se sobre as tendências e sobre como você poderia se inserir no mercado. Leia jornais, sites e blogs, participe, seja ativo!
Dica: para acompanhar o mercado e treinar o italiano ao mesmo tempo, veja a lista de jornais e revistas italianos para ler online, muitos deles de graça.
Se a sua preocupação agora é arranjar um trabalho qualquer para pagar as contas e a carreira pode esperar, imprima vários currículos com foto e distribua em lojas, bares e hotéis. Falar inglês é um ótimo diferencial, especialmente nas cidades turísticas, como Roma, Florença, Veneza e Milão. Boa sorte!
Quanto ganha em média quem trabalha na Itália
A Itália é um país complicado, cheio de regras e burocracia, então essa é uma resposta longa. Primeiro ponto: não existe um salário mínimo nacional fixado por lei. O piso de cada profissão vem do contrato coletivo (CCNL) do setor.
O dado oficial mais recente é do Istat, o instituto nacional de estatística: em 2024 as famílias residentes na Itália tiveram uma renda líquida média de 39.501 euros por ano, cerca de 3.290 euros por mês. Atenção: é a renda da família inteira, não o salário de uma pessoa, e é uma média, puxada para cima por quem ganha muito. No Sul e nas ilhas os salários são mais baixos.
Igualdade e ISEE: quando o Estado complementa a renda
A Itália é um país que tenta reduzir a distância entre quem ganha muito e quem ganha pouco. Um pedreiro que trabalha em feriados e domingos, com quatro filhos e a esposa desempregada, pode chegar a ter, no fim do mês, uma renda melhor do que a de um funcionário administrativo solteiro e sem filhos. Embora a desigualdade tenha aumentado nos últimos anos, parta com essa informação como base.
Falando sempre de quem trabalha com contrato ou licença regular: se você ganha pouco, o Estado tende a complementar a sua renda. Isso passa pelo ISEE, o indicador da situação econômica da família. Desde março de 2026, com o ISEE automático, muitos órgãos públicos buscam o valor direto no sistema do INPS, sem que você precise entregar o documento a cada pedido. Com um ISEE baixo, por exemplo:
- as contas de luz, gás e água têm um desconto aplicado automaticamente (o bonus sociale);
- a escola pública é gratuita, os livros da escola primária são fornecidos de graça a todos os alunos, e para as séries seguintes há ajudas para livros, refeição e transporte escolar, que variam de região para região e de Comune para Comune;
- os serviços de saúde e de creche custam menos, com tarifas proporcionais à renda;
- as famílias mais pobres podem pedir o Assegno di Inclusione, que em 2024 substituiu o antigo Reddito di Cittadinanza.
Na prática, é como se o Estado completasse o salário de quem ganha pouco. O outro lado da moeda, como veremos a seguir, é que quem mais sente o peso dos impostos é a faixa do meio: quem ganha um salário médio. E nem sempre trabalhar mais horas significa ter mais dinheiro no fim do ano. Para entender por que trabalhar nem sempre basta, leia também pobreza na Itália existe, e nem sempre depende de falta de trabalho.
Impostos: quanto fica com o governo
Quando se fala em impostos na Itália, não se trata só do imposto de renda. É preciso somar tudo: imposto de renda, contribuições para a previdência (INPS), adicionais regionais e municipais, os impostos de quem tem empresa e os impostos indiretos, como o IVA de 22% sobre a maior parte do que você compra.
- IRPEF (imposto de renda): em 2026 as alíquotas são de 23% até 28 mil euros, 33% de 28 mil a 50 mil euros e 43% acima disso, segundo a Agenzia delle Entrate. Em cima dele vêm os adicionais da região e do Comune.
- INPS (previdência): quem trabalha com partita IVA sem caixa profissional própria paga à Gestione Separata do INPS 26,07% do que declara em 2026. Artesãos e comerciantes têm uma gestão própria, com contribuição mínima fixa mesmo em ano de pouco faturamento.
- Empresa: quem abre uma empresa soma ainda os impostos da própria empresa, a contabilidade obrigatória e as taxas da Câmara de Comércio.
Somando tudo, impostos diretos e indiretos, quem tem uma atividade própria pode chegar a deixar 70% do que ganha com o governo, em impostos, taxas e contribuições. E fica a pergunta que muitos jovens se fazem: depois de pagar tanto INPS, quanto vou receber de aposentadoria? Sem contar que as regras mudam o tempo todo, como mostra este texto sobre as dificuldades de empreender na Itália.
E quem paga mais, proporcionalmente, não são os mais ricos, e sim a classe média. Um estudo de pesquisadores da Università di Milano-Bicocca e da Scuola Superiore Sant’Anna de Pisa, divulgado em julho de 2026, calculou que um trabalhador assalariado de classe média paga cerca de 45% do que ganha em impostos e contribuições, enquanto o 0,1% mais rico da população paga 32,6%. Segundo os pesquisadores, o sistema fica regressivo para os 7% mais ricos, e a causa principal é a renda do patrimônio, que rende muito mais para quem está no topo.
Contratos de trabalho: o que mudou
Antigamente a Itália era conhecida como o país em que os trabalhadores tinham muitos direitos: férias pagas, licença remunerada por doença e gravidez, aposentadoria digna, 13º salário (e às vezes até 14º!) e estabilidade. Na prática, quem tinha um contratto a tempo indeterminato dificilmente era demitido, mais ou menos como acontece com os servidores públicos no Brasil, e isso valia tanto no setor público quanto no privado.
Depois vieram anos em que as empresas passaram a contratar muita gente com CoCoCo (collaborazione coordinata e continuativa) e contratto a progetto: contratos com data de início e fim e quase nenhum direito, sem férias, sem licença por doença, sem 13º, e com uma contribuição previdenciária que mal chegava à metade.
Hoje o quadro é outro:
- o contratto a progetto foi abolido pelo Jobs Act, em 2015. A CoCoCo ainda existe, mas não é mais a regra;
- segundo o Istat, em agosto de 2026 a Itália tinha 16 milhões 669 mil empregados com contrato por prazo indeterminado, contra 2 milhões 391 mil com contrato por prazo determinado e 5 milhões 292 mil autônomos;
- quem tem contrato por prazo determinado (o contratto a tempo determinato, com data de fim) tem direito ao mesmo tratamento econômico e normativo de um colega com contrato por prazo indeterminado do mesmo nível: férias, licença por doença e 13º;
- a fatia que mais preocupa hoje é a de quem trabalha com partita IVA para um único cliente, como se fosse um empregado, mas sem os direitos de empregado.
Para entender a diferença, imagine duas pessoas que recebem 2.000 euros por mês, uma com contrato de empregado e outra com partita IVA:
- com contrato de empregado, os 2.000 euros já são líquidos: impostos e INPS foram descontados no holerite (a busta paga). E ela continua recebendo o salário quando sai de férias (as férias são remuneradas), recebe durante a licença por doença e ainda ganha o 13º salário;
- com partita IVA, os 2.000 euros que o cliente paga são brutos. Sobre eles ainda vão impostos e INPS, num valor que varia conforme a atividade, a idade e o regime fiscal. E quando ela sai de férias ou fica doente, pode até parar de trabalhar, mas o cliente não paga esses dias.

Ou seja: no papel o valor é o mesmo, mas no fim do ano quem trabalha com partita IVA leva para casa bem menos.
Custo de vida: com 2.000 euros se vive apertadíssimo
Mesmo com 2.000 euros por mês, você vive fazendo conta no supermercado. O custo de vida é alto, ainda mais em cidades grandes como Florença, Milão ou Roma.
O que mais pesa é o aluguel. Segundo um levantamento do portal Immobiliare.it divulgado em outubro de 2026, o aluguel médio está em 22,3 euros por metro quadrado por mês em Milão, 21,7 em Florença e 19,1 em Roma (a média italiana é de 14,9). Na prática, um apartamento de 50 m² custa em média cerca de 1.100 euros por mês em Milão, 1.085 em Florença e 955 em Roma, sem contar condomínio e contas. Ou seja, mais da metade de um salário de 2.000 euros.
Além do aluguel, você ainda tem que comer e pagar aquecimento (aqui existe inverno!), luz, água e condomínio. Veja também como funcionam os contratos de aluguel na Itália. A Itália é conhecida como um país onde se tem uma qualidade de vida digna, não um país para ficar rico. Não se iluda!
Mas se por acaso você for a exceção e conseguir ficar rico na Itália, venha contar para a gente nos comentários o que fez: o site terá todo o prazer em compartilhar a sua história! Enquanto isso, conheça os bilionários italianos da lista da Forbes.
O que acontece se eu trabalhar sem contrato?
Trabalhar ilegalmente é a maior furada, porque você não está amparado pela lei. Se o seu empregador resolver não pagar o salário depois de um mês de trabalho, ele não paga e ponto. Você não tem a quem reclamar, porque oficialmente não está trabalhando.
Se acontecer um acidente de trabalho, você também não está amparado. Em geral, quem trabalha sem contrato trabalha mais horas e ganha menos do que quem tem contrato. Além disso, você não terá nenhum documento para comprovar a sua renda se quiser alugar uma casa, fazer uma compra a prazo ou um financiamento, nem para renovar o permesso di soggiorno. Enfim, é fria!
Vale a pena ir para a Itália em 2026?

Depois dos anos difíceis da pandemia e da inflação que veio com a guerra na Ucrânia, o número de pessoas empregadas cresceu. Segundo o Istat, em agosto de 2026 a taxa de emprego estava em 63,0% e a de desemprego em 6,2%. Entre os jovens de 15 a 24 anos, porém, o desemprego chegava a 20,3%.
Mas ter trabalho não significa viver melhor. Os preços voltaram a subir mais rápido que os salários: no segundo trimestre de 2026, o poder de compra das famílias caiu 0,9% em relação ao trimestre anterior, e a pressão fiscal chegou a 43,5%. Em outubro, o próprio presidente do Istat avisou no Parlamento que a recuperação dos salários em relação aos preços parou: para 2026, o Istat estima um aumento de 2,5% nos salários dos contratos coletivos, contra uma inflação de 3,0%.
Ou seja: há mais trabalho do que alguns anos atrás, mas os salários continuam baixos para o custo de vida das grandes cidades. As cidades menores costumam ter um custo-benefício melhor. E o caminho legal para quem não tem cidadania europeia depende quase sempre de um empregador disposto a fazer o pedido. Para comparar as duas realidades, leia onde se vive melhor: no Brasil ou na Itália.
Você deve fazer as malas, largar tudo no Brasil e vir para a Itália? Cada caso é um caso. Faça uma lista do que você tem a perder deixando o Brasil e do que tem a ganhar morando na Itália. E, se vier, quando as coisas ficarem difíceis por aqui, releia a sua lista. Se quiser, compartilhe-a nos comentários para a gente palpitar.
Aprenda italiano: você não precisa de dinheiro para isso, mas de muita dedicação. Não perca as dicas para estudar italiano por conta própria. E troque ideias com outros brasileiros que já estão aqui: a conversa ajuda a ter uma visão mais real do que significa viver e trabalhar na Itália. Boa sorte!
Já trabalhou na Itália? Conte a sua experiência aqui para a gente!
Fontes oficiais
- Constituição italiana, artigo 16 e lei 1228/1954, artigo 2: liberdade de residência do cidadão e registro no Comune (Normattiva)
- Decreto legislativo 30/2007, artigos 7 e 9: cidadãos de outros países da União Europeia (Normattiva)
- Decreto-lei 36/2025, que inseriu o artigo 3-bis na lei 91/1992: novas regras da cidadania por descendência (Normattiva), e a versão original do decreto, antes das mudanças da lei 74/2025
- Testo Unico dell’Immigrazione, artigo 27-quater (Carta Blu UE) e artigo 28 (reagrupamento familiar)
- DPR 394/1999, artigo 14 e nota da Inspeção do Trabalho de 24/05/2022: trabalho com permesso de estudo
- Portal Integrazione Migranti (junho de 2024) e rede consular italiana: requisitos e renda do visto de nômade digital
- Istat, Occupati e disoccupati, agosto de 2026
- Istat, Condizioni di vita e reddito delle famiglie, 2024-2025
- Agenzia delle Entrate: alíquotas do IRPEF
- ARERA: bonus sociale para luz, gás e água
- Decreto legislativo 81/2015, artigos 52 e 25: fim do contratto a progetto e direitos do contrato por prazo determinado
Créditos das imagens: dinheiro, Christian Santinon; malas, heather champ (Flickr).

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