A aposentadoria na Itália está ficando cada vez mais distante, mas para as mulheres o problema é ainda mais profundo: além de chegarem mais tarde à aposentadoria, elas continuam recebendo valores menores que os homens.
Os dados aparecem no Rendiconto Sociale INPS 2025, apresentado em Roma pelo Consiglio di Indirizzo e Vigilanza do INPS.
O relatório mostra uma fotografia importante do sistema previdenciário italiano e confirma uma tendência que afeta diretamente quem trabalha, quem mora na Itália e quem está planejando o próprio futuro no país.
A questão não é apenas “quando vou me aposentar?”. A pergunta mais difícil é: “com quanto vou conseguir viver quando chegar lá?”.
Índice
Mulheres são maioria entre os pensionistas, mas recebem menos
Em 2025, o INPS registrou 15.435.694 aposentados na Itália. Desse total, 7.426.392 eram homens e 8.009.302 eram mulheres.
Ou seja, as mulheres são maioria entre os aposentados. Mesmo assim, isso não significa que estejam em melhor situação econômica.
O próprio comunicado do INPS destaca uma diferença relevante entre os valores médios das aposentadorias de homens e mulheres. No caso das aposentadorias por idade, a diferença de valores pagos chega a 45% a menos para as mulheres.

Esse é um dado muito forte. Ele mostra que a desigualdade acumulada durante a vida profissional continua aparecendo também na aposentadoria.
Por que as mulheres recebem menos aposentadoria na Itália?
A aposentadoria é resultado da trajetória de trabalho e de contribuição de cada pessoa. Por isso, quando uma mulher tem uma carreira mais interrompida, salários mais baixos ou mais períodos de trabalho parcial, o efeito aparece no valor final da aposentadoria.
Na prática, muitas mulheres acabam contribuindo menos ao longo da vida, não necessariamente por escolha pessoal, mas por uma combinação de fatores sociais e profissionais.
Entre os motivos mais comuns estão:
- carreiras interrompidas por maternidade ou cuidado com familiares;
- maior presença em empregos de meio período;
- salários médios mais baixos;
- menos oportunidades de crescimento profissional;
- períodos sem contribuição previdenciária;
- dificuldade de conciliar trabalho, filhos, casa e assistência a familiares idosos.
O problema, portanto, não nasce no momento da aposentadoria. Ele começa muito antes, durante a vida de trabalho.
A idade média de aposentadoria também aumentou
Outro dado importante do INPS é o aumento da idade média de aposentadoria.
Para as mulheres, a idade média passou de 64,4 anos em 2022 para 65,4 anos em 2025.
Para os homens, passou de 63,7 anos em 2022 para 64,1 anos em 2025.
Isso significa que, no período analisado, a idade média de aposentadoria das mulheres subiu mais do que a dos homens.
É um detalhe que merece atenção. Muitas vezes, quando se fala de aposentadoria, a discussão fica concentrada nas regras gerais. Mas os efeitos dessas regras não são iguais para todos.
Para quem teve uma carreira estável, contínua e bem remunerada, o impacto pode ser um. Para quem teve anos de contribuição interrompidos, contratos precários ou salários menores, o resultado pode ser bem mais pesado.
Opzione Donna: menos mulheres conseguem sair antes
A redução das possibilidades de aposentadoria antecipada também aparece com força nos dados do INPS.
Um dos exemplos mais claros é a Opzione Donna. Em 2025, foram 3.860 beneficiárias, contra 26.427 em 2022.
A diferença é enorme.
A Opzione Donna sempre foi uma alternativa importante para algumas mulheres que queriam ou precisavam sair antes do mercado de trabalho. Mas, com as restrições dos últimos anos, o número de beneficiárias caiu drasticamente.
Isso confirma uma tendência: depender de medidas especiais para antecipar a aposentadoria está ficando cada vez mais difícil.
Aposentadoria antecipada está mais restrita para todos
O relatório do INPS também mostra uma queda geral nas chamadas “quote”. O comunicado cita o caso de Quota 103 com recálculo contributivo: os tratamentos passaram de 112.982 em 2021 para 5.643 em 2025.
Ao mesmo tempo, crescem os tratamentos de Ape sociale, enquanto diminuem os benefícios para trabalhadores precoces. Os trabalhos considerados desgastantes permanecem estáveis.
Na prática, o sistema continua permitindo algumas formas de saída antecipada, mas elas atendem a grupos mais específicos.
Para a maioria dos trabalhadores, a mensagem é clara: será necessário trabalhar por mais tempo.
O que isso significa para brasileiros que vivem na Itália?
Para brasileiros que vivem e trabalham na Itália, esses dados são importantes por vários motivos.
Quem contribui para o sistema previdenciário italiano precisa entender que a aposentadoria futura dependerá das regras vigentes, do tempo de contribuição, do tipo de contrato e dos valores efetivamente recolhidos.
Para mulheres brasileiras na Itália, o alerta é ainda maior. Muitas chegam ao país depois de já terem iniciado a vida profissional no Brasil. Algumas passam por períodos de adaptação, mudança de carreira, reconhecimento de diplomas, empregos informais ou trabalhos temporários.
Tudo isso pode afetar a construção de uma aposentadoria mais sólida.
Não significa que a situação seja sem saída. Mas significa que é preciso acompanhar de perto a própria vida contributiva.
O que você deveria verificar
Quem mora na Itália e trabalha regularmente deve criar o hábito de controlar sua posição previdenciária.
Alguns pontos importantes:
- verificar se o empregador está pagando corretamente as contribuições;
- acompanhar o próprio estratto conto contributivo no INPS;
- entender se os anos trabalhados no Brasil podem ser considerados por meio de acordos internacionais;
- avaliar períodos sem contribuição;
- guardar contratos, recibos e documentos de trabalho;
- buscar orientação especializada em caso de dúvidas.
Não deixe para descobrir aos 60 anos que faltam contribuições, documentos ou períodos importantes.
A desigualdade na aposentadoria começa durante a vida profissional
O dado dos 45% a menos nas aposentadorias de velhice das mulheres não deveria ser lido apenas como um problema previdenciário. Ele é também um retrato do mercado de trabalho.
Quando uma mulher ganha menos, contribui menos. Quando interrompe a carreira para cuidar dos filhos ou de familiares, contribui menos. Quando aceita contratos parciais por falta de alternativa, contribui menos.
Décadas depois, tudo isso aparece no valor da aposentadoria.
Por isso, falar de aposentadoria feminina é falar também de trabalho, salário, maternidade, cuidado familiar e autonomia econômica.
Planejamento é proteção
A aposentadoria pública continua sendo uma parte fundamental da segurança econômica na velhice. Mas os dados mostram que depender apenas dela pode ser arriscado, principalmente para quem teve uma trajetória profissional irregular.
Por isso, sempre que possível, é importante construir também uma estratégia pessoal.
Isso pode incluir reserva de emergência, investimentos de longo prazo, previdência complementar, redução de dívidas e organização financeira familiar.
Para as mulheres, essa conversa é ainda mais importante. Ter autonomia financeira não é luxo. É proteção.
A propósito: você já tem conta em banco na Itália? Sabia que, se for residente e maior de 18 anos, pode abrir contas gratuitas em poucos minutos online e até te pagam para isso? Alguns exemplos: ING, Crédit Agricole, Revolut, buddy (grupo Unicredit), isybank (grupo Intesa).
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O que fazer para um futuro melhor
Os dados do INPS mostram que a aposentadoria na Itália está ficando mais tardia e, para as mulheres, ainda mais desigual.
Elas são maioria entre os pensionistas, mas continuam recebendo menos. A diferença de até 45% nas aposentadorias por idade é um sinal claro de que a desigualdade vivida durante a carreira acompanha a mulher também na velhice.
Para quem vive na Itália, especialmente para brasileiras que trabalham ou pretendem trabalhar no país, a melhor atitude é não ignorar o assunto.
Comece pensando em fazer o seu pé de meia de forma privada. Use essa calculadora de aposentadoria para ver quanto você precisa economizar para ter a renda desejada no futuro.
Acompanhe suas contribuições, entenda seus direitos e comece a planejar o futuro com antecedência. A aposentadoria parece distante, mas as escolhas que influenciam esse futuro começam agora.

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