Mais um caso de erro médico em Florença tem chamado atenção dos jornais italianos. Depois da criança operada no Meyer por um tumor inexistente, agora um outro episódio voltou a acender o debate sobre segurança do paciente e responsabilidade profissional. Saiba mais aqui.
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Erro médico em Florença: cirurgia cardíaca desnecessária seguida de infecção hospitalar
Uma clínica privada de Florença foi condenada a indenizar a família de uma mulher de 67 anos em mais de 1 milhão de euros, após uma cirurgia cardíaca considerada desnecessária e a subsequente infecção adquirida em sala operatória.
A decisão foi noticiada em 06/12/2025 e detalha que o procedimento não seguia as indicações das linhas-guia para o quadro clínico da paciente.
Segundo a reportagem do jornal Il Tirreno, os fatos ocorreram entre 2016 e 2017 no Maria Beatrice Hospital, em Florença.
A paciente, portadora de insuficiência aórtica, foi submetida a um reimplante de válvula aórtica com substituição da raiz e da aorta ascendente.
Na ação judicial, perícias técnicas concluíram que, nas condições específicas da paciente, não havia indicação para uma cirurgia tão invasiva. A sentença também vinculou o óbito à infecção letal contraída durante o procedimento, destacando que o material protético deveria ter sido removido em tempo oportuno.
Outro ponto enfatizado pelo Tribunal é que a dilatação aórtica documentada era inferior a 50 mm — 48 mm, de acordo com os autos — e que não havia sinais de dilatação ou disfunção do ventrículo esquerdo, nem familiaridade para disseção aórtica.
Esses elementos pesaram para afastar a indicação cirúrgica, estabelecendo o nexo entre a escolha terapêutica inadequada, a infecção intraoperatória e o desfecho fatal. Outras publicações locais repercutiram a decisão nos dias seguintes, reforçando a ausência de indicação para substituição valvar em casos com diâmetros aórticos abaixo de 50 mm como o descrito.
Por que o caso importa para quem vive e trabalha na saúde na Itália
Como jornalista e imigrante que acompanha de perto o mercado de trabalho italiano, eu fico especialmente atenta a casos assim porque eles impactam dois públicos do Trabalho na Italia: pacientes e profissionais de saúde brasileiros que atuam aqui.

Para pacientes, a mensagem é clara e prática: peça explicações compreensíveis sobre a indicação de qualquer cirurgia, avalie uma segunda opinião quando houver alternativas razoáveis e guarde toda a documentação clínica.
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Para profissionais, o recado é igualmente direto: seguir linhas-guia, registrar criteriosamente cada decisão e agir prontamente diante de suspeita de infecção relacionada a próteses é parte essencial do cuidado e da proteção jurídico-profissional.


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