Como será a população italiana em 2042?

A Italia é um país reconhecido no mundo por sua arte, beleza, tradições gastronômicas e culturais. Mas como será o país daqui a alguns anos em uma sociedade que muda rapidamente e radicalmente? Como será a população italiana em 2042? Qual o perfil dos estudantes na Italia hoje?

Índice do artigo:
– Mudanças profundas nos últimos 10 anos
– A quantidade de idosos na Italia aumentará ainda mais nos próximos 20 anos
– População italiana diminui
– Mulheres italianas fazem cada vez menos filhos
– Os italianos se casam cada vez mais tarde
– Imigração na Italia e novos cidadãos
– As segundas gerações de estrangeiros na Italia
– Estrangeiros nas escolas italianas
– Conclusão

Mudanças profundas nos últimos 10 anos

“Nos últimos 10 anos a Italia passou por uma grande alteração no tecido demográfico e social.” – é a tradução do Report Anual do Istat 2022, mais precisamente no capítulo 3.

A primeira grande mudança da população italiana diz respeito a idade. Os italianos vivem cada vez mais, mas fazem cada vez menos filhos. O resultado é uma população cada vez mais velha.

Como será a população italiana em 2042

A quantidade de idosos na Italia aumentará ainda mais nos próximos 20 anos

Este débito demografico promete causar dificuldades em termos de aposentadoria, despesas médicas e assistência. Os indivíduos de idade superior a 65 anos são 14 milhões e 46 mil no início de 2022 e representam 23,8% da população total da Italia.

A previsão é que os idosos na Italia em 2042 serão quase 19 milhões e representarão 34% da população italiana.

Os grandes idosos, com pelo menos 80 anos, superam 4,5 milhões e a população italiana com pelo menos 100 anos atinge 20 mil unidades. Praticamente quadruplicou nos últimos 20 anos.

A previsão é que em 2042 teremos pelo menos 2 milhões de pessoas a mais com pelo menos 80 anos e os super centenários triplicarão atingindo quota 58.400 pessoas.

População italiana diminui

Em 1º de janeiro de 2022, de acordo com os primeiros dados provisórios, a população italiana diminuiu para 58 milhões 983 mil pessoas. Nos últimos 8 anos a Italia perdeu 1 milhão e 363 mil habitantes.

O quadro demográfico de 2020 e 2021 foi acentuado devido a pandemia.

Mulheres italianas fazem cada vez menos filhos

As mulheres residentes na Italia estão adiando cada vez mais a maternidade. A idade média do parto na Italia era de 32,2 anos em 2020.

A idade média da mulher italiana ao nascimento do primeiro filho é de 31,4 anos.

Outro dado interessante é que as mulheres estrangeiras residentes na Italia tem mais filhos do que as mulheres italianas residentes na Italia. Em 2020 as mulheres estrangeiras tem em média 1,89 filhos em relação a 1,17 filhos para as italianas.

Os italianos se casam cada vez mais tarde

Os italianos se casam cada vez mais tarde. Em 2011 a idade média do primeiro casamento era de 32,6 anos para homens e 30,1 para mulheres.

Em 2019 a idade média do primeiro casamento aumentou para 33,9 para homens e 31,7 para mulheres.

A pandemia intensificou ainda mais a situação: em 2020 o índice para os homens foi de 34,1 e para mulheres de 32 anos.

A permanência dos filhos na casa do pais até tarde tem ajudado a atrasar os casamentos. A crise econômica ajuda a atrasar cada vez mais a idade de saída dos jovens da casa dos pais.

Sempre de acordo com o relatório Istat 2022, capítulo 3, página 21: “Em 2020 na Italia a cada 10 jovens de 18-34 anos, 7 permanecem na casa dos pais. Um número maior do que a situação europeia geral que é de 1 jovem a cada 2.”

Em 2020, de cada 10 jovens italianos, 7 moram na casa dos pais. Estamos falando de jovens de 18-34 anos.

Imigração na Italia e novos cidadãos

Em 1º de janeiro de 2022 a população estrangeira residente na Italia é equivalente a 5 milhões 193 mil e 669 indivíduos. Praticamente aumentou de 200 mil unidades em relação a 2019.

Nos anos anteriores (entre 2015-2016 e 2016-2017) a população estrangeira na Italia inclusive tinha diminuído. Essa diminuição é um resultado das políticas de fluxos migratórios da Italia. E também consequência da aquisição da cidadania italiana. Entre 2011 e 2020 mais de 1 milhão e 250 mil pessoas obtiveram a cidadania italiana e é possível estimar que em 1º de janeiro de 2021 os novos cidadãos por reconhecimento de cidadania residentes na Italia são aproximadamente 1 milhão e 600 mil.

Do ponto de vista da cidadania, as pessoas de origem albanesa e marroquina são as mais numerosas entre os novos cidadãos, seguidos por romenos, brasileiros, indianos, argentinos, peruanos, tunisinos, franceses e macedônios.

Essas primeiras 10 cidadanias cobrem apenas metade dos cidadãos, já que esse grupo é composto não apenas de imigrantes estrangeiros e seus filhos mas também dos descendentes de emigrantes italianos no exterior que obtiveram a cidadania por ius sanguinis.

Os estrangeiros na Italia se concentram no centro-norte do país como ilustrado no seguinte mapa:

Mapa da concentração de estrangeiros na Italia

As segundas gerações de estrangeiros na Italia

A população estrangeira em geral é jovem. Os super jovens de origem estrangeira aumentam: são jovens nascidos na Italia filhos de pais estrangeiros (segunda geração) e jovens que chegaram na Italia antes de completarem 18 anos, filhos de casais mixtos.

Alguns possuem cidadania estrangeira, outros cidadania italiana por nascimento ou por obtenção.

Os jovens estrangeiros com menos de 18 anos representam 20% da população estrangeira e para cada idoso (com mais de 65 anos) existem 3 super jovens com idade entre 0 e 14 anos.

Já entre os italianos existe apenas “meio” jovem entre 0 e 14 anos para cada idoso (acima de 65 anos).

Mas o fato mais interessante é em relação ao processo de inclusão nas escolas. Se na escola secundária de primeiro grado prevalecem os nascidos na Italia, na escola secundária de segundo grau a maior parte dos estudantes nasceu no exterior e deste 31% tinha pelo menos 6 anos quando veio para a Italia.

Estrangeiros nas escolas italianas

Quantos são os alunos estrangeiros na escola italiana? O gráfico abaixo ilustra os alunos das escolas italianas de acordo com a cidadania e tipo de escola para o ano escolar 2019/2020.

Entenda como é organizada a escola italiana

Os principais países de origem dos novos jovens cidadãos (nuovi cittadini) que frequentam a escola italiana são Marrocos (21% do total) e Albania (20% do total), seguindo por Romênia (5%), Índia (4,5%). Os novos jovens cidadãos corresponde ao grupo de alunos seja com cidadania italiana como estrangeira.

Os menores estrangeiros mais frequentemente vivem em situação de pobreza absoluta e em 2021 as famílias estrangeiras em pobreza absoluta superavam 30%. Apesar disso, em uma pesquisa realizada em 2021 com crianças e jovens, apenas 11,3% dos alunos estrangeiros classificaram a própria família como muito pobre.

Considerando as respostas dos estudantes que preencheram o questionário em relação ao título de estudo dos pais, os estrangeiros tem menor instrução do que os italianos. Os pais de estrangeiros sem educação ou com apenas o ensino elementar é de 8,2%; já os italianos são 2,4%.

Para os estrangeiros a quota de universitários é menor do que a dos estudantes italianos. Seja no caso de estrangeiros como italianos o título de estudo da mãe costuma ser superior ao do pai.

Vai fazer universidade na Italia? Aqui um serviço que todo estudante universitário deve conhecer

Conclusão

O capítulo 3 do Rapporto Annuale Istat 2022 é um ótimo conselho de leitura porque releva dados importantes para quem pretende morar, trabalhar, estudar ou investir no país.

Investir em sistema de assistência para idosos é um trend em aumento.

A Italia precisará encontrar uma solução para resolver o déficit entre jovens e idosos no país.

Importante também pensar no papel da imigração: de um lado uma força de trabalho importante, do outro tem o fator de integração.

Integração que passa pela escola e educação.

Aqui o PDF para você ler ou baixar:

Leia também: Quais são os países com mais bilionários 2022 (veja posição da Italia e do Brasil)

Barbara Bueno
Barbara Buenohttps://barbarabueno.com
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o site BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...) e obteve habilitação como assistente turística na Italia. Hoje voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever!

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