IA gerencia loja real em São Francisco: cargos de gestão serão os primeiros a mudar ou desaparecer?

Em abril de 2026, uma inteligência artificial abriu uma loja, contratou funcionários e tomou decisões de gestão no mundo real. O experimento levanta uma questão que poucos esperavam enfrentar tão cedo: os cargos de gestão serão os primeiros a desaparecer? Leia o artigo até o final para saber os detalhes do que aconteceu e a nossa reflexão.

IA gerencia loja real nos Estados Unidos

Em 10 de abril de 2026, uma loja abriu as portas no número 2102 da Union Street, em São Francisco, nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos temos a primeira loja gerenciada totalmente por IA: Andon Market (Foto: divulgação)
Nos Estados Unidos temos a primeira loja gerenciada totalmente por IA: Andon Market (Foto: divulgação)

Por fora, nada chama atenção — é mais um estabelecimento num bairro elegante conhecido por estúdios de yoga, cafés e joalherias. Por dentro, porém, algo é diferente: nenhum dos produtos foi escolhido por um humano, nenhuma das vagas de trabalho foi publicada por um humano, e nenhuma das entrevistas foi conduzida por um humano.

Tudo isso foi feito por Luna, um agente de inteligência artificial baseado no modelo Claude Sonnet 4.6 da Anthropic, desenvolvido pela startup Andon Labs para um experimento direto: uma IA consegue gerenciar um negócio real, com pessoas reais, no mundo real?

Os fundadores Lukas Petersson e Axel Backlund assinaram um contrato de aluguel de três anos por US$ 7.500 por mês, depositaram US$ 100 mil em uma conta bancária, entregaram um cartão de débito para Luna e deram uma única instrução: dê lucro. Abaixo o vídeo (em inglês) dá uma panorâmica do que aconteceu:

O que Luna fez — e o que só humanos conseguem fazer

Depois que os fundadores assinaram o contrato e forneceram o capital inicial, Luna assumiu. Ela:

  • Criou perfis no LinkedIn, Indeed e Craigslist para anunciar vagas
  • Conduziu entrevistas com candidatos via chat
  • Contratou pintores encontrados no Yelp, passou instruções por telefone e efetuou os pagamentos
  • Escolheu todos os produtos das prateleiras, definiu preços e criou uma identidade visual completa — logo, camisetas, canecas e sacolas
  • Redigiu um manual do funcionário elogiado pelos próprios fundadores

O que Luna não consegue fazer é igualmente revelador: ela não pode tocar em nada. Não abre a loja, não arruma prateleiras, não impede furtos. Para isso, ela precisou contratar humanos.

O cargo que ela ocupou, portanto, foi o de gerente.

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A inversão que ninguém esperava

Durante anos, a narrativa dominante foi clara: a IA vai substituir primeiro os trabalhadores mais simples. As linhas de montagem, os caixas de supermercado, os operadores de call center. Os cargos repetitivos, físicos, de baixa qualificação.

O Andon Market conta uma história diferente.

Luna não substituiu quem arruma as prateleiras. Ela substituiu quem decide o que colocar nelas. Recrutou, entrevistou, contratou, definiu salários, criou processos e tomou decisões estratégicas — tudo sem precisar de um escritório, sem pedir aumento e sem tirar férias.

E não é só Luna. A Amazon demitiu milhares de gerentes de nível médio em 2025, citando a IA como principal fator. O CEO Andy Jassy afirmou que a tecnologia já ajuda as equipes a “avançar mais rápido e tomar melhores decisões”, reduzindo a necessidade de posições intermediárias.

Mustafa Suleyman, CEO da área de IA da Microsoft, foi direto em fevereiro de 2026: Trabalho de escritório — seja você advogado, contador, gerente de projetos ou profissional de marketing — a maioria dessas tarefas será totalmente automatizada por uma IA nos próximos 12 a 18 meses.

A lógica faz sentido quando você pensa bem. Gerenciar é, em grande parte, processar informação e tomar decisões baseadas em dados. É exatamente o que a IA faz melhor.

Já lidar com imprevistos físicos, carregar caixas ou interagir com clientes difíceis? Isso ainda é território humano — pelo menos por enquanto.

Além disso os cargos de administração costumam ter salários mais altos em relação a funções mais básicas. E neste caso a troca de humano por IA pode valer a pena economicamente.

Será que a nós, humanos, vai restar o trabalho que paga menos?

A IA vai virar chefe de todo mundo?
A IA vai virar chefe de todo mundo? – Imagem ilustrativa gerada por IA

O que isso significa para quem está construindo uma carreira

A reviravolta é desafiadora para uma geração inteira de profissionais que estudou, fez faculdade e buscou cargos de gestão como símbolo de ascensão social. A escada corporativa tradicional — começar embaixo, subir aos poucos, chegar à gerência — pode estar com os degraus do meio sendo removidos.

Isso tem consequências concretas:

  • Para jovens profissionais: os cargos de entrada que serviam de trampolim para a gestão estão sob pressão. Sem essa progressão natural, como se desenvolve experiência e autoridade?
  • Para profissionais de meia carreira: quem está em posições de gestão média precisa repensar seu valor. O que você oferece além de coordenar, reportar e consolidar informações?
  • Para a desigualdade: o caso Luna já mostra um alerta preocupante. Sem qualquer viés consciente, o agente pagou US$ 24 por hora ao funcionário homem e US$ 22 às duas funcionárias mulheres, justificando com “mais experiência”. A IA aprende com dados humanos — e os dados humanos estão cheios de desigualdades históricas. Se não houver correção ativa nos modelos, a automação não elimina a discriminação, apenas a torna mais difícil de contestar
  • Para trabalhadores sem rede de proteção: Felix Johnson, um dos contratados de Luna, mora em San Francisco com apoio de um voucher habitacional. Trabalha há anos no varejo. Aceitou o emprego sem benefícios de saúde — nos EUA, onde um simples atendimento médico pode custar centenas de dólares, isso não é um detalhe menor. Aceitou porque não havia alternativa. Quando as opções acabam, a gente pega o que tem.

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Dois erros, muitas velas e um contrato de três anos

O experimento não está indo bem financeiramente — pelo menos por enquanto. Luna encomendou 1.000 tampas sanitárias para o banheiro dos funcionários e depois as listou como produto à venda. Comprou velas em quantidade absurda, de todos os formatos e aromas. Bagunçou tanto os turnos que a loja teve que fechar por três dias seguidos. Em duas semanas, acumulou US$ 13 mil de prejuízo.

Mas o contrato tem três anos. E duas semanas representam menos de 1% desse prazo. Qualquer negócio novo — gerido por humanos experientes — costuma operar no vermelho nos primeiros meses. Os custos de abertura, contratação e estoque inicial são investimentos pontuais, não recorrentes.

Além disso, sem acesso ao balanço completo da empresa, é impossível fazer uma análise séria. Os US$ 13 mil de prejuízo foram informados pelos próprios fundadores — não são um documento contábil verificado. Antes de decretar sucesso ou fracasso, seria necessária uma transparência financeira que, por enquanto, não existe.

O que sabemos é que Luna ainda tem cerca de US$ 87 mil disponíveis e, diferente de um gerente humano, não tem ego para proteger nem hábitos difíceis de mudar.

A pergunta que fica

O Andon Market é mais do que um experimento curioso de uma startup californiana. É um espelho pequeno de uma mudança grande que já está em curso no mercado de trabalho global — e que está chegando também à Europa e ao mercado italiano.

A questão não é mais “a IA vai substituir empregos?”. Essa batalha já foi. A questão agora é outra:

Quais empregos, em que ordem e com que consequências para quem não tem para onde correr?

Qual será a solução? Viraremos todos empresários, com uma IA trabalhando para a gente?


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