A venda do grupo Gedi entrou oficialmente no centro do debate público neste mês de dezembro e provocou uma mobilização inédita de jornalistas e trabalhadores gráficos de La Repubblica em várias cidades italianas.
No sábado, 13 de dezembro de 2025, redações foram às ruas em Roma, Milão, Turim, Bolonha, Gênova, Florença, Nápoles, Palermo e Bari para denunciar riscos à liberdade de imprensa, ao pluralismo informativo e à própria continuidade dos postos de trabalho.
A manifestação aconteceu no contexto da greve geral convocada pela Cgil e marcou um momento simbólico. Não se trata apenas de uma disputa sindical, mas de um alerta sobre o futuro de um dos principais grupos editoriais da Itália, responsável por jornais históricos como La Repubblica e La Stampa, além de rádios e portais de notícia.
Índice
Venda do grupo Gedi e o temor pelo futuro das redações
A confirmação oficial de que a Exor, holding da família Agnelli Elkann, pretende vender todas as atividades do grupo Gedi até janeiro de 2026 mudou o tom das relações com as redações. Até poucos dias antes, a empresa negava a existência de negociações em curso.
A situação se tornou pública após a admissão de tratativas avançadas com o grupo grego Antenna, conglomerado internacional com interesses no setor de mídia, finanças e imóveis.

Dentro das redações, o clima é descrito como de choque e insegurança. Jornalistas de La Stampa e La Repubblica denunciam a ausência de garantias claras sobre a continuidade ocupacional, tanto para contratados quanto para colaboradores com vínculos anuais. No caso de La Stampa, há ainda o temor concreto de uma venda separada do jornal, o que poderia desmontar estruturas digitais, técnicas e editoriais hoje compartilhadas dentro do grupo.
Liberdade de imprensa e pluralismo no centro do debate
Durante os protestos, os jornalistas leram uma carta aberta comum em todas as cidades, alertando para o avanço de poderes econômicos e financeiros sobre a informação e para o risco de enfraquecimento do pensamento crítico.
O discurso feito em Florença sintetizou o espírito da mobilização. A defesa do emprego caminha junto com a defesa de um princípio constitucional, a liberdade de imprensa como base do debate democrático.
O secretário-geral da Cgil, Maurizio Landini, reforçou essa leitura ao afirmar que o que está em jogo não é apenas uma operação de mercado, mas uma tentativa explícita de colocar em discussão a autonomia do jornalismo e a possibilidade de políticas industriais sérias no setor editorial.
As manifestações também recuperaram palavras recentes do presidente da República, Sergio Mattarella, que definiu a informação livre, independente e plural como um direito dos cidadãos e um antídoto contra fenômenos de manipulação.
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Um momento delicado para o jornalismo italiano
A venda do grupo Gedi acontece em um momento já crítico para a imprensa italiana, marcada por queda de receitas, transformação digital acelerada e crescente pressão política e econômica.
O caso assume um peso simbólico ainda maior porque La Repubblica se aproxima dos 50 anos de existência e sempre se apresentou, desde seu fundador Eugenio Scalfari, como um jornal não neutro, claramente inserido no debate político e cultural do país.
Para as redações, não está em jogo apenas a troca de um proprietário, mas a preservação de uma identidade editorial, do pluralismo informativo e da função social do jornalismo.
As próximas semanas, com a possível conclusão da venda até janeiro, serão decisivas para entender se essas preocupações encontrarão respostas concretas ou se abrirão uma nova fase de conflito e mobilização no setor.
O que acontece agora dentro da Gedi é observado com atenção não apenas por jornalistas, mas por quem considera a informação livre um pilar essencial da democracia italiana.


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